" Serei o que você quiser mas só quando eu quiser. Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer..." C. Lispector
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Tempo mestre de todas horas e dias
O ponteiro do relógio segue no compasso de um tempo que nunca acaba. O que acabam são pilhas, as baterias, as peças desgastam, as pessoas morrem. Mas o tempo, não o tempo nunca acaba. É uma sucessão de momentos que já decorria quando nascemos e continuará no infinito após o encerramento da nossa breve passagem pelo estado transitório denominado vida. Então, se o tempo não acaba pra que nos preocuparmos tanto com o supérfluo caminhar dos ponteiros? Sim. Pois se o tempo não acaba, parar isso é que ele não faz mesmo. Nenhum segundo jamais voltará.Um carro jamais poderá dar a volta como se faz num filme em DVD e desbater no poste, desatropelar uma pessoa, e devolver as vidas que tirou. Nenhuma palavra que já foi dita por você ou por quem quer que seja poderá adentrar teus pensamentos e evitar qualquer efeito desejado ou não quando proferida. Não você não pode querer voltar naquele dia e fazer seja lá o que diferente. Não aquele dia, esse mesmo que você tá pensando não voltará. Ora pois se o tempo não acaba, não para, esqueça ele também não retrocede. Se nada disso é possível diante da magnitude autoritária e autônoma do tempo de que adianta vivermos num mundo feito formiguinhas apressadas andando em fila obedientes e trabalhadoras. Preocupadas com o tempo, como ele passa, como olhamos pro relógio, como parecemos o coelho de " Alice nos país das maravilhas " atrasados, estamos sempre atrasados ou temendo estar. Talvez estejamos mesmo atrasados. Pra perceber que sim, sabemos que o tempo é algo infindável, constante e exponencial apenas não assimilamos o significado de tudo isso. Não seguimos o Carpe Diem, não aproveitamos o dia, o tempo que nos resta. Nunca sabemos, nunca saberemos o momento exato em que nossa jornada acabará aqui, nesse plano que talvez seja único, talvez não. O certo é que estamos aqui não estamos? então por que não usufruir? fazer o que nos dá vontade. Ler aquele livro que sempre teve curiosidade, falar daquela maneira que sempre quis, escutar quantas vezes quizer aquela música favorita, aprender uma outra língua, andar um pouco a pé na sua cidade natal, passar a noite na praia, tomar um sorvete numa tarde quente, ou tomar um sorvete numa tarde não tão quente assim só pra relembrar como pequenas experiências podem fazer grande diferença no corre-corre do mundo moderno. Aliás no corre-corre moderno. Tempo. Sabiamente Cazuza compôs uma música " O tempo não pára " mais que certo isso é. Nós é que pararemos, em algum momento incerto de um futuro sabe - se lá quão distante, diante de momentos que não serão mais pra nós. Nós é que acabamos, paramos e, como obedecemos até onde se pode, o tempo, também não voltamos para o passado, passado é tempo. De certa forma tempo perdido já que se não o tem mais. Presente é o hoje que deveriamos reconhecer como a dádiva que é acordar, ter mais uma chance pra o que quer que seja, mais uma chance pra tentar algo novo ou pra melhorar em algo já conhecido. O amanhã, é uma fração de tempo sempre inalcançável por que no final das contas é um dia depois de hoje, e quando chegar não vai mais ser amanhã, vai ser hoje, quando passar, já terá passado, aquela fração de tempo perdida, o ontem. Mal notamos, o tempo está sempre fugindo às nossas vidas, não adianta olhar tanto pro relógio, não adianta reclamar da idade, não adianta querer mais tempo, quando não se sabe aproveitar nem o que se tem. Paremos então, de dar tanta ênfase ao tempo, ele deveria fazer parte do curso de nossas vidas como um companheiro impassível e invisível que segue irremediavelmente paralelo à nossa trajetória, não um tropeço que nos impede de enchergar que a vida é mais que o tempo que contamos, talvez ela seja os tantos momentos, frações de tempo que por desatenção acabamos perdendo.
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