Não me diga como eu devo ser. Como tenho que falar, como tenho que escrever, como tenho que viver.
Não quero ouvir nada do seu blá blá blá indiferente. Peço, por favor, que se não se importa. Como sei que não deve se importar, guarde as suas farpas pra alguma ocasião especial, não pra mim, eu não mereço tanto. Não quero saber o que você acha da minha roupa, do meu cabelo, se estou gorda ou magra, se fui bem na prova, se reencontrei alguém do passado, se continuei mudando com o tempo ou se permaneci a mesma de sempre. Não quero você, essa pessoa desinteressante e ácida na minha vida, não quero mau gosto, mau olhado, más intenções. Não quero a sua inveja, seus comentários muito menos o seu deboche. Não quer o a sua vulgaridade e toda a vaidade que você parece se orgulhar de ter. Não me diga que eu não consigo, que eu fiz errado, que eu nunca acerto, que eu não tenho jeito, que nada vai me mudar, que a minha insegurança me impede, que tudo pode me atrapalhar, que eu vou voltar com os olhos cheios de lágrimas e os sonhos enterrados em algum lugar da estrada. Não me diga. Não quero saber, guarde as suas verdades universais para a sua vida que poderia ou deveria estar tão mais perfeita com a aplicação de todas elas. Não me subestime, não me diga que não consigo, que sou isso ou aquilo, que não sou boa em tal coisa, que deveria ter pensando antes, não me diga que me avisou, que já sabia, não me diga que eu devia ter imaginado isso, não me diga nada. Siga cuidando da sua vida se não puder dizer algo sem veneno, sem rancor, sem inveja, sem indiferença, se não puder dizer algo sincero a respeito de algo que realmente se importe, não diga nada, não me diga nada. O silêncio é mais válido em certos momentos que tantas palavras vazias. As ouvimos todos os dias e perdemos valiosos silêncios cheios de cheiros, de lembranças, de desejos, de solidões ocultas e de vontades refreadas. Se não tiver nada significante pra falar por favor pense em qualquer besteira mas não, não me diga.
Nenhum comentário:
Postar um comentário