sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A solidão é algo inexplicável. Nos abala onde e quando menos esperamos e esperamos que vá embora da mesma forma que chegou, sem aviso e em silêncio. Solidão é sentir - se só consigo mesmo e não entender nada. É querer dar voltas e voltas no mesmo lugar pra ver se reconhece algum traço, alguma característica familiar de uma quem sabe felicidade. Sentir - se só é mergulhar no mais profundo silêncio quando tudo que se quer é falar, se expressar sem parar... Sentir - se só é sentir um aperto no peito sem saber como ou com o que ele passa se é que passa ou é só impressão.


Sentir - se só é precisar dos amigos mas querer que eles saibam disso sem que precisemos chamá - los. Seria tão bom se eles percebessem. Sentir - so é precisar de um tempo pra pensar, de um mundo interior para descobrir de um pouco de tudo e de tudo quase nada pra viver. Sentir - se só às vezes é dedicar um tempo procurando a felicidade, seja lá o que ela for pra você. Sentir - se só é querer não precisar dos outros pra nada e aprender que sempre se precisa de alguém pra alguma coisa. Você só não pode ser dependente de tudo, pelo contrario. Precisa entender a sua dependência diante do mundo. E mesmo assim ser autosuficiente.

Ou pelo menos tentar ser.

Pra mm, solidão é isso.

sábado, 6 de novembro de 2010

Morrer é não viver a realidade

O medo da morte parece ser um sentimento universal. Há os que digam que não a temem, nem ao menos se importam com ela. A meu ver eles afirmam isso aos outros pra quem sabe alguma hora se convencerem de que seja verdade. Nesse momento muitos devem estar achando mórbido escrever sobre a morte. Ao que me consta nunca algo deixou de existir pelo simples fato de não se tocar no assunto, seja falando ou escrevendo. Nos desenhos animados e em alguns filmes a morte aparece com um cara de caveira, sob um capuz e com a enigmática foice. Não me perguntem de onde tiraram isso por que não saberia explicar. Por que o capuz? para o moribundo não se assustar muito? pra que a foice? para o pescoço dele? que horror, mesmo assim continuo não fazendo idéia de onde veio tudo isso. Em outros filmes a morte aparece como um espírito encarregado de levar as almas para o inferno. Então quer dizer que ela só leva os que vão pro inferno? e os outros? quem é que leva pro céu? nossa estranho. Fora essa parte de céu e inferno ela deveria, " deveria " levar a todos não é? já que o certo é que um dia todo mundo morre. Já vi noutras situações da tv em que anjos vem buscar os que morrem. Pra onde foi a morte? tava muito ocupada? Suposições e brincadeiras a parte o certo é que tudo isso demonstra o quão nada sabemos sobre a morte, exceto a sua inevitabilidade. Se nada sabemos, como podemos criar tanta coisa? imaginar tudo isso. Talvez a tal temida morte seja apenas o momento em que fecharemos os olhos pra vida e perderemos o compasso do tão sofrido coração. Seja por ter vivido tantos anos, seja por uma fatalidade, morte natural se fala, talvez toda morte seja natural ou talvez nenhuma seja, mas morte ela sempre é. Algo que nos põe medo, nos dá a sensação de fim de tudo, que nos mostra o quanto somos pequenos diante da imensidão de coisas que acontecem o tempo todo a nosso redor. Não sei como a morte é de verdade, sequer imagino. Fico triste e temerosa às vezes não só pela morte mas pelo fim que tudo sempre tem. Algo que dure pra sempre me fala aí alguém? não me recordo de nada no momento exceto do tempo. A rima não foi de propósito. O tempo sim, esse é infinito, ele é,. mas não o  nosso, esse acaba vocês sabem com o que. Ao menos essa vida, tudo que somos e temos aqui, tudo que odiamos e amamos fica quando fechamos os olhos e jamais abrimos de novo. Tantas pessoas morrem todos os dias por tantas coisas, tanta coisa acaba sem ao menos termos a chance de experimentar, de conhecer de usufruir. Isso sim é triste. A cada dia estamos mais perto do fim como alguém já disse. Mas o que devemos lembrar é que se a morte é temida, inevitável e autoritária a vida pode ser tudo isso. Muitos já fecharam os olhos  pra vida, e olhe que ainda nem morreram. Não dão valor ao que realmente tem, vivem deixando o tempo passar, não que haja maneira alguma de impedir que ele passe, o que quis dizer é que vivem sem viver. Passam as horas, os dias, os anos mergulhados numa cegueira de olhos que enchergam. Cegos por que veem tudo mas não reconhecem nada. Não reconhecem empatia, sinceridade, beleza, nem mesmo a brevidade de tudo. Veem apenas as roupas, os rostos, o dia na praia pra ficar com marquinha de biquíni, a gata que pegaram na balada passada. Esquecem de procurar, de ao menos tentar, encontrar o sentido da sua existência, da sua vida. Muitos morrerão sem ter sido felizes, não por falta de oportunidade só por falta de atenção. A morte nos dá medo por que, seja como for, é a mais simbólica representação do fim. Mal nos tocamos de que tudo tem um fim, sempre tem, sem precisar da morte pelo meio. Tudo que fazemos pode ser pela ultima vez, dizer um oi, jogar um game, sair com alguém, curtir os amigos, apreciar um livro que tanto queria ler, ficar um pouco quieto e em silêncio pra ouvir a si mesmo. O que importa, o que deveria importar é o tempo que temos, sim, agora mesmo ainda temos algum, nunca se sabe se quase nada, pouco ou bastante, mas ainda temos, tempo pra redescobrir quem realmente somos ou para mudar para a pessoa que gostaríamos de ser. Tempo de se entregar a um novo amor, tempo de reconquistar um antigo amor, tempo de ler um livro, de tirar aquelas fotos, de nos dedicar ao que realmente gostamos, de dizer tudo que calamos e de nos desculpar pelo que não devíamos ter dito, tempo para sermos menos críticos com os outros e com nós mesmos, tempo de tentar ser feliz, seja por uns dias ou por muitos anos. E, no fim, quem sabe a morte seja como diz um trecho, de um filme que assisti esses dias " A alma deixa o corpo como um aluno deixa a porta da escola: de repente e alegre..."

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não me diga!

Não me diga como eu devo ser. Como tenho que falar, como tenho que escrever, como tenho que viver.
Não quero ouvir nada do seu blá blá blá indiferente. Peço, por favor, que se não se importa. Como sei que não deve se importar, guarde as suas farpas pra alguma ocasião especial, não pra mim, eu não mereço tanto. Não quero saber o que você acha da minha roupa, do meu cabelo, se estou gorda ou magra, se fui bem na prova, se reencontrei alguém do passado, se continuei mudando com o tempo ou se permaneci a mesma de sempre. Não quero você, essa pessoa desinteressante e ácida na minha vida, não quero mau gosto, mau olhado, más intenções. Não quero a sua inveja, seus comentários muito menos o seu deboche. Não quer o a sua vulgaridade e toda a vaidade que você parece se orgulhar de ter. Não me diga que eu não consigo, que eu fiz errado, que eu nunca acerto, que eu não tenho jeito, que nada vai me mudar, que a minha insegurança me impede, que tudo pode me atrapalhar, que eu vou voltar com os olhos cheios de lágrimas e os sonhos enterrados em algum lugar da estrada.  Não me diga. Não quero saber, guarde as suas verdades universais para a sua vida que poderia ou deveria estar tão mais perfeita com a aplicação de todas elas. Não me subestime, não me diga que não consigo, que sou isso ou aquilo, que não sou boa em tal coisa, que deveria ter pensando antes, não me diga que me avisou, que já sabia, não me diga que eu devia ter imaginado isso, não me diga nada. Siga cuidando da sua vida se não puder dizer algo sem veneno, sem rancor, sem inveja, sem indiferença, se não puder dizer algo sincero a respeito de algo que realmente se importe, não diga nada, não me diga nada. O silêncio é mais válido em certos momentos que tantas palavras vazias. As ouvimos todos os dias e perdemos valiosos silêncios cheios de cheiros, de lembranças, de desejos, de solidões ocultas e de vontades refreadas. Se não tiver nada significante pra falar por favor pense em qualquer besteira mas não, não me diga.

Suposições versus opiniões

A vida alheia pode parecer para muitos uma imensidão de coisinhas interessantes para serem notadas, comentadas e até espalhadas pelos círculos de fofoca. Todo mundo, generalizando, sempre sabe o que dizer, ou o que acha que deve dizer, quando começamos a falar sobre algo triste, algo revoltante, algo que seja motivo de grande felicidade. Seja como for sempre acham que estão certos em achar o que acham a nosso respeito. Que estamos errados em pensar assim, que ainda somos imaturos demais e logo adiante entenderemos, que só quando passarmos por isso e aquilo entenderemos, que algumas pessoas não crescem nunca ou que nossos problemas não passam de um draminha básico pra chamar atenção. Claro, a vida alheia é um espetáculo em que você chega a hora que quizer e tudo continua acontecendo, bem na hora pra você assistir, você, esperto que é, pode optar por aplaudir no final da cena ou jogar tomates e quaisquer outras coisas podres que também podem ser palavras. Se você for daqueles que ri bastante, é um idiota ou no mínimo bobo alegre, se ficar quieto no seu canto é emo, se não tiver sempre namorando é encalhado, se tiver sempre ficando com alguém diferente é safado ou galinha. Caso estude muito é cdf ou o mais novo nerd, se não estudar nada é um vagabundo que não quer nada com a vida. Se lê bastante é por que não tem nada de melhor pra fazer, se lê quase nada é por que não tem cultura. Se gostar de assistir BBB é obviamente sinal de que é um alienado total, se não gostar da Lady Gaga não sabe o que está no auge musical atualmente. Se diz que gosta de tudo um pouco é por que tenta agradar a todos, se impõe seu gosto é por que é um rebelde sem causa. Taxações. Meras suposições feitas à respeito de cada pessoa. Podemos supôr como ela é, pelo que vemos, por que não enchergamos seus corações a partir do modo como elas se vestem, podemos supôr como ele é pelo modo como elas agem, se tivermos tempo pra notar isso. Ver vemos, notar, interpretar é que está. Jamais poderemos assegurar que fulano é assim, ciclano é assado, ele ou ela jamais faria isso, não pode ter feito aquilo, claro que ele - ela chegaria lá. Que decepção ele - ela não conseguiu passar no vestibular. Deve ter sido a farra do final de semana antes, ou talvez não, fez cursinho o ano inteiro. Foi só um exemplo. Tudo são suposições, mas pra todo mundo, de novo generalizando, não são. São verdades que elas acham que sabem a nosso respeito. A respeito de todos os seres humanos. Quão complicados somos. Mal conseguimos entender o que se passa nas nossas próprias mentes, esse território particular que deveríamos ter todo tempo de nossas vidas pra explorar, peraí, de fato temos, talvez não saibamos apenas usufruir. Sim isso é pra se usufruir. Como diria Pitty, numa de suas autênticas músicas " Isso não é uma questão de opinião. Isso é só uma questão de opinião..." Cada um e todo mundo, seja lá como for, só quero generalizar um pouco outra vez, tudo são só opiniões, a nosso respeito, à respeito dos outros, do que é certo, do que é errado, do que merece céu ou inferno, a existência ou não de céu e inferno, e também, se você opta por ser mais um no meio da multidão e tenta ser o máximo parecido possível com o restante dos projetos de seres humanos zumbis que andam por aí, quase roboticamente julgando os outros, e friamente transcorrendo pelo que deveria ser uma vida ao menos autêntica, se não feliz, isso também é só uma questão de opinião, da sua opinião, se você tiver claro.

Tempo mestre de todas horas e dias

O ponteiro do relógio segue no compasso de um tempo que nunca acaba. O que acabam são pilhas, as baterias, as peças desgastam, as pessoas morrem. Mas o tempo, não  o tempo nunca acaba. É uma sucessão de momentos que já decorria quando nascemos e continuará no infinito após o encerramento da nossa breve passagem pelo estado transitório denominado vida. Então, se o tempo não acaba pra que nos preocuparmos tanto com o supérfluo caminhar dos ponteiros? Sim. Pois se o tempo não acaba, parar isso é que ele não faz mesmo. Nenhum segundo jamais voltará.Um carro jamais poderá dar a volta como se faz num filme em DVD e desbater no poste, desatropelar uma pessoa, e devolver as vidas que tirou. Nenhuma palavra que já foi dita por você ou por quem quer que seja poderá adentrar teus pensamentos e evitar qualquer efeito desejado ou não quando proferida. Não você não pode querer voltar naquele dia e fazer seja lá o que diferente. Não aquele dia, esse mesmo que você tá pensando não voltará. Ora pois se o tempo não acaba, não para, esqueça ele também não retrocede. Se nada disso é possível diante da magnitude autoritária e autônoma do tempo de que adianta vivermos num mundo feito formiguinhas apressadas andando em fila obedientes e trabalhadoras. Preocupadas com o tempo, como ele passa, como olhamos pro relógio, como parecemos o coelho de " Alice nos país das maravilhas " atrasados, estamos sempre atrasados ou temendo estar. Talvez estejamos mesmo atrasados. Pra perceber que sim, sabemos que o tempo é algo infindável, constante e exponencial apenas não assimilamos o significado de tudo isso. Não seguimos o Carpe Diem, não aproveitamos o dia, o tempo que nos resta. Nunca sabemos, nunca saberemos o momento exato em que nossa jornada acabará aqui, nesse plano que talvez seja único, talvez não. O certo é que estamos aqui não estamos? então por que não usufruir? fazer o que nos dá vontade. Ler aquele livro que sempre teve curiosidade, falar daquela maneira que sempre quis, escutar quantas vezes quizer aquela música favorita, aprender uma outra língua, andar um pouco a pé na sua cidade natal, passar a noite na praia, tomar um sorvete numa tarde quente, ou tomar um sorvete numa tarde não tão quente assim só pra relembrar como pequenas experiências podem fazer grande diferença no corre-corre do mundo moderno. Aliás no corre-corre moderno. Tempo. Sabiamente Cazuza compôs uma música " O tempo não pára " mais que certo isso é. Nós é que pararemos, em algum momento incerto de um futuro sabe - se lá quão distante, diante de momentos que não serão mais pra nós. Nós é que acabamos, paramos e, como obedecemos até onde se pode, o tempo, também não voltamos para o passado, passado é tempo. De certa forma tempo perdido já que se não o tem mais. Presente é o hoje que deveriamos reconhecer como a dádiva que é acordar, ter mais uma chance pra o que quer que seja, mais uma chance pra tentar algo novo ou pra melhorar em algo já conhecido. O amanhã, é uma fração de tempo sempre inalcançável por que no final das contas é um dia depois de hoje, e quando chegar não vai mais ser amanhã, vai ser hoje, quando passar, já terá passado, aquela fração de tempo perdida, o ontem. Mal notamos, o tempo está sempre fugindo às nossas vidas, não adianta olhar tanto pro relógio, não adianta reclamar da idade, não adianta querer mais tempo, quando não se sabe aproveitar nem o que se tem. Paremos então, de dar tanta ênfase ao tempo, ele deveria fazer parte do curso de nossas vidas como um companheiro impassível e invisível que segue irremediavelmente paralelo à nossa trajetória, não um tropeço que nos impede de enchergar que a vida é mais que o tempo que contamos, talvez ela seja os tantos momentos, frações de tempo que por desatenção acabamos perdendo.