" Serei o que você quiser mas só quando eu quiser. Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer..." C. Lispector
sábado, 6 de novembro de 2010
Morrer é não viver a realidade
O medo da morte parece ser um sentimento universal. Há os que digam que não a temem, nem ao menos se importam com ela. A meu ver eles afirmam isso aos outros pra quem sabe alguma hora se convencerem de que seja verdade. Nesse momento muitos devem estar achando mórbido escrever sobre a morte. Ao que me consta nunca algo deixou de existir pelo simples fato de não se tocar no assunto, seja falando ou escrevendo. Nos desenhos animados e em alguns filmes a morte aparece com um cara de caveira, sob um capuz e com a enigmática foice. Não me perguntem de onde tiraram isso por que não saberia explicar. Por que o capuz? para o moribundo não se assustar muito? pra que a foice? para o pescoço dele? que horror, mesmo assim continuo não fazendo idéia de onde veio tudo isso. Em outros filmes a morte aparece como um espírito encarregado de levar as almas para o inferno. Então quer dizer que ela só leva os que vão pro inferno? e os outros? quem é que leva pro céu? nossa estranho. Fora essa parte de céu e inferno ela deveria, " deveria " levar a todos não é? já que o certo é que um dia todo mundo morre. Já vi noutras situações da tv em que anjos vem buscar os que morrem. Pra onde foi a morte? tava muito ocupada? Suposições e brincadeiras a parte o certo é que tudo isso demonstra o quão nada sabemos sobre a morte, exceto a sua inevitabilidade. Se nada sabemos, como podemos criar tanta coisa? imaginar tudo isso. Talvez a tal temida morte seja apenas o momento em que fecharemos os olhos pra vida e perderemos o compasso do tão sofrido coração. Seja por ter vivido tantos anos, seja por uma fatalidade, morte natural se fala, talvez toda morte seja natural ou talvez nenhuma seja, mas morte ela sempre é. Algo que nos põe medo, nos dá a sensação de fim de tudo, que nos mostra o quanto somos pequenos diante da imensidão de coisas que acontecem o tempo todo a nosso redor. Não sei como a morte é de verdade, sequer imagino. Fico triste e temerosa às vezes não só pela morte mas pelo fim que tudo sempre tem. Algo que dure pra sempre me fala aí alguém? não me recordo de nada no momento exceto do tempo. A rima não foi de propósito. O tempo sim, esse é infinito, ele é,. mas não o nosso, esse acaba vocês sabem com o que. Ao menos essa vida, tudo que somos e temos aqui, tudo que odiamos e amamos fica quando fechamos os olhos e jamais abrimos de novo. Tantas pessoas morrem todos os dias por tantas coisas, tanta coisa acaba sem ao menos termos a chance de experimentar, de conhecer de usufruir. Isso sim é triste. A cada dia estamos mais perto do fim como alguém já disse. Mas o que devemos lembrar é que se a morte é temida, inevitável e autoritária a vida pode ser tudo isso. Muitos já fecharam os olhos pra vida, e olhe que ainda nem morreram. Não dão valor ao que realmente tem, vivem deixando o tempo passar, não que haja maneira alguma de impedir que ele passe, o que quis dizer é que vivem sem viver. Passam as horas, os dias, os anos mergulhados numa cegueira de olhos que enchergam. Cegos por que veem tudo mas não reconhecem nada. Não reconhecem empatia, sinceridade, beleza, nem mesmo a brevidade de tudo. Veem apenas as roupas, os rostos, o dia na praia pra ficar com marquinha de biquíni, a gata que pegaram na balada passada. Esquecem de procurar, de ao menos tentar, encontrar o sentido da sua existência, da sua vida. Muitos morrerão sem ter sido felizes, não por falta de oportunidade só por falta de atenção. A morte nos dá medo por que, seja como for, é a mais simbólica representação do fim. Mal nos tocamos de que tudo tem um fim, sempre tem, sem precisar da morte pelo meio. Tudo que fazemos pode ser pela ultima vez, dizer um oi, jogar um game, sair com alguém, curtir os amigos, apreciar um livro que tanto queria ler, ficar um pouco quieto e em silêncio pra ouvir a si mesmo. O que importa, o que deveria importar é o tempo que temos, sim, agora mesmo ainda temos algum, nunca se sabe se quase nada, pouco ou bastante, mas ainda temos, tempo pra redescobrir quem realmente somos ou para mudar para a pessoa que gostaríamos de ser. Tempo de se entregar a um novo amor, tempo de reconquistar um antigo amor, tempo de ler um livro, de tirar aquelas fotos, de nos dedicar ao que realmente gostamos, de dizer tudo que calamos e de nos desculpar pelo que não devíamos ter dito, tempo para sermos menos críticos com os outros e com nós mesmos, tempo de tentar ser feliz, seja por uns dias ou por muitos anos. E, no fim, quem sabe a morte seja como diz um trecho, de um filme que assisti esses dias " A alma deixa o corpo como um aluno deixa a porta da escola: de repente e alegre..."
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